"Ser ator é realmente uma profissão de maluco, fascinante. A poética do ridículo, o brincar de faz de conta, o infindável universo onírico infantil e a tremenda cara de pau fazem com que os atores encantem - pelo seu poder de transgressão, pela sedução, pelo poder de conscientização, pela capacidade de simplesmente entreter e pela mágica de poder ser quase todo mundo - aos que os assistem e sonham junto com eles.
Lemos Diderot, Stanislavsky, Grotovsky, Maierhold, D. T. Suzuki e uma infinidade de outros livros (todos fundamentais). Ouvimos muita música clássica para apurarmos nossa noção de ritmo, de cor, de intensidade. Ouvimos samba, pagode, MPB, música sertaneja e o diabo a quatro, graças ao bom Deus. Graças a obrigatória falta de preconceito para ver e viver a vida como ela é (obrigado, grande Nelson!) e poder reproduzi-la, e, melhor ainda, recriá-la como uma pintura, que quase sempre é mais rica do que uma foto. Vemos (com o corpo inteiro) pinturas de Bosch, Goya, Velásquez, Max Ernst, para tentar compreender alguns mistérios da vida, para provocar nossos sonhos, ou, para nada. Só para ver mesmo. Que bom!
Conversamos com o Zé que vende coco no quiosque da praia e notamos um gesto diferente, um ritmo novo, outras possibilidades de comportamento e de comunhão com a vida. Observamos sem pensar. Viva o Zé! Precisamos dele. E depois colocamos uma armadura e dizermos que somos cavaleiros da Távora Redonda, dizemos que somos bons, que somos maus, que somos bons e maus, que somos gente. É uma profissão que deveria se iniciar logo que a pessoa começasse a falar e a ler, e terminar no início da adolescência, já que os adolescentes têm verdadeiro horror a pagar mico. Mas não, o maravilhoso complexo de Peter Pan nos acompanha pelo resto da vida e passamos a nos comportar como crianças relativamente adultas. E aí entra a poética do tempo que estará sempre a nosso favor.
Fazer um bom trabalho de ator é sempre muito arriscado, mesmo que o personagem seja comum, simples, cotidiano. É mais arriscado ainda. É raro, mas acontece de ver um ator dizendo que está arriscando quando na verdade está fazendo um trabalho histérico e fora da medida. No caso de uma novela, geralmente as pessoas se acostumam e até passam a gostar. O erro faz parte do show, eliminá-lo é impossível, diminuir a margem de erro através do estudo, dedicação, e, principalmente, leveza e bom humor, talvez seja o melhor caminho. Cada um escolhe o seu.
É uma profissão generosa, democrática e acolhedora. Qualquer um pode ser ator, basta saber falar, andar, ler e ter o juízo mais ou menos perfeito. Todos têm direito a tentativa e ninguém tira o lugar de ninguém. Fazer um bom trabalho de ator, permanecer digno praticando o ofício já são outros quinhentos, não é para qualquer um. A consciência de que somos inevitavelmente precários por sermos humanos pode ser um grande estímulo para fazermos trabalhos grandiosos. Viramos heróis, mendigos e uma infinidade de outros personagens para, entre outras coisas, vencer a morte (êta coisinha incômoda). E, no final, conseguimos rir de nós mesmos.
Quero, por fim, agradecer aos meus nobres e loucos companheiros atores por percorrerem esse caminho inventado e que aumenta a vida, o prazer e o sonho. Quero agradecer aos grandes atores que já superaram o estágio dos adjetivos e conquistaram a liberdade plena da criação. Qual o adjetivo para Fernanda Montenegro, para Laura Cardoso? Quero agradecer também aos que estão começando, aos que estão terminando (se é que isso é possível) e aos que estão por vir.
Sou ator, acho que isso quer dizer alguma coisa.
Evoé!"
Antonio Calloni
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
Lição de Teatro e Vida
Lendo o blog do meu querido amigo, ex-professor e crítico teatral Lionel Fischer, me deparei com o seguinte texto:
"O pequeno artigo que se segue tem por objetivo incentivar os profissionais das artes cênicas ( e, em especial, os atores) a jamais se permitirem o sério risco de se tornarem parasitas de suas próprias conquistas (desde que elas tenham existido, evidentemente), contentando-se em repetir fórmulas que "deram certo".
Extraído de O estrangeiro que dansa - livro que retrata a trajetória do Grupo Odin de 1972 a 1977, publicado na França em 1977 - o fragmento abaixo leva a assinatura de Eugênio Barba, fundador e diretor do grupo até hoje.
Você perde sangue, mas se você se recusa a permanecer estendido numa maca, você vai além, você transpõe a fronteira que leva a uma espécie de terra de ninguém. Atrás de você se estende o território do teatro, diante de você, uma outra fronteira. Você ignora para qual território ela te conduz. Você avança prudentemente, mas com obstinação. Às vezes teus passos te conduzem para trás, na direção da fronteira do teatro, e os sábios e os professores sorriem, aliviados. Às vezes você parece a ponto de desaparecer no horizonte e teu destino parece incompreensível. Quem é você, afinal? Um solitário que desaparece no deserto ou alguém que, avançando, e mesmo que eventualmente se perdendo, chega a traçar uma pista?"
É muito mais profundo do que uma lição teatral para atores e artistas... é uma lição de vida, para todos os seres humanos.
Eaí, decidiu se vai ter coragem de traçar uma pista? Ou continua temendo ousar?
.
.
.
Bebel Clark
"O pequeno artigo que se segue tem por objetivo incentivar os profissionais das artes cênicas ( e, em especial, os atores) a jamais se permitirem o sério risco de se tornarem parasitas de suas próprias conquistas (desde que elas tenham existido, evidentemente), contentando-se em repetir fórmulas que "deram certo".
Extraído de O estrangeiro que dansa - livro que retrata a trajetória do Grupo Odin de 1972 a 1977, publicado na França em 1977 - o fragmento abaixo leva a assinatura de Eugênio Barba, fundador e diretor do grupo até hoje.
Você perde sangue, mas se você se recusa a permanecer estendido numa maca, você vai além, você transpõe a fronteira que leva a uma espécie de terra de ninguém. Atrás de você se estende o território do teatro, diante de você, uma outra fronteira. Você ignora para qual território ela te conduz. Você avança prudentemente, mas com obstinação. Às vezes teus passos te conduzem para trás, na direção da fronteira do teatro, e os sábios e os professores sorriem, aliviados. Às vezes você parece a ponto de desaparecer no horizonte e teu destino parece incompreensível. Quem é você, afinal? Um solitário que desaparece no deserto ou alguém que, avançando, e mesmo que eventualmente se perdendo, chega a traçar uma pista?"
É muito mais profundo do que uma lição teatral para atores e artistas... é uma lição de vida, para todos os seres humanos.
Eaí, decidiu se vai ter coragem de traçar uma pista? Ou continua temendo ousar?
.
.
.
Bebel Clark
terça-feira, 21 de julho de 2009
segunda-feira, 29 de junho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
Vem

Fase ridiculamente boa. Em paz.
Sorriso estampado no rosto. Até no trânsito.
Encontros, reencontros, desencontros. O que mais?
A vida realmente parece fazer sentido quando se aprecia cada respiração.
Problemas? Não. Situações de vida. Nada demais.
Isso aqui é tão curto, tão especial, tão belo... há de se aproveitar.
Vem comigo?!...
.
.
.
Bebel Clark
P.S. não, você não está lendo esse texto à toa...
Sorriso estampado no rosto. Até no trânsito.
Encontros, reencontros, desencontros. O que mais?
A vida realmente parece fazer sentido quando se aprecia cada respiração.
Problemas? Não. Situações de vida. Nada demais.
Isso aqui é tão curto, tão especial, tão belo... há de se aproveitar.
Vem comigo?!...
.
.
.
Bebel Clark
P.S. não, você não está lendo esse texto à toa...
segunda-feira, 27 de abril de 2009
sábado, 11 de abril de 2009
Assinar:
Postagens (Atom)


